terça-feira, 27 de março de 2012

-21° 45' 51'' ; 43° 21' 01''


"Quando olho para o meu passado, encontro uma mulher bem parecida comigo - por acaso, eu mesma - porém essa mulher sabia menos, conhecia menos lugares, menos emoções." (Martha Medeiros)












Faz parte de um vazio que conta muitas histórias.
Aquele sentimento invasivo que ao mesmo tempo que preenche de sensações, aponta para todas as insignificâncias. Porque o espaço ocupado foi grande. E o que teve lá dentro também foi. Mas o que sobra são resquícios de saudade e multidão de mágoas.
A infinidade de horas vividas, os incontáveis momentos e os tantos abraços.
As horas marcadas, os encontros combinados, os desencontros, as coincidências, correrias. Os pontos de ônibus, as escolas de dança, o colégio, o curso de inglês e a lanchonete. Pura rotina. As consultas no dentista, as escapadas do horário, a casa das amigas e o ensaio no domingo. Mais rotina.
Um certo desespero na hora de definir. Um boa dose de tristeza ao ver as más lembranças ocupando o lugar das ótimas. A pena que dá por saber que o que um dia foi lugar primeiro, jamais voltará a ser. E o orgulho de ver que ao olhar pra trás, encontrou-se a felicidade.


"Dentro de cada um existe um álbum de fotos e um conto de fadas." (Juliana Henriques)

segunda-feira, 26 de março de 2012

Era julho



"De repente, não mais que de repente."



Era férias, e era noite. Apesar de estar chovendo, o voo saiu na hora, com destino à Recife.
Enquanto dormiam do meu lado, eu só fazia pensar e refletir. Me envolvia um sentimento de certeza, e era isso que eu tentava externar. Lembrar, e me certificar de que estávamos certos, em tudo, o tempo todo. Era fácil me convencer e me provar que vivíamos por cima das nuvens. O nosso mundo tinha cor de rosa branca.
Durante aquelas poucas horas de viagem, foi dedicação total. As palavras vinham, as ideias brotavam.
E você merecia cada detalhe.
Mas eu juro sim, juro que foi verdadeiro... Garanto que veio de dentro... E confirmo até hoje. Ficou tudo muito bonito, bem feito, bem rabiscado.
Existia imensidão naquelas palavras. Imensidão essa, que naquela outra viagem, se perdeu.
E o dissolver do imediato se inverteu com o reconstruir do antepassado. Parecia filme...
O fora de época tomou conta e serviu pra estragar tudo. Serviu pra arruinar, e revestir.  Más lembranças.

O que aconteceu lá, do meu lado de dentro, em cada pulsação, em cada respiração e cada pensamento, nunca vai ser explicado. Quem sabe um dia, perdoado. Mas jamais esquecido.
Porque existiu um dia, no avião.

domingo, 25 de março de 2012

...

"Se não era amor, era da mesma família. Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados. A carência. A saudade. A mágoa. Um quase desespero, uma espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar, só não se sabe se vai ser antes ou depois de se chocar contra o solo."
                                                      Martha Medeiros

Sétimo


Brutos, fajutos, roubados
Quentes, frios, molhados
Ontem, anteontem
Hoje, mais tarde
Amanhã.


Primeiro, segundo,
Penúltimo.
De novo, outrora
Depois...será?


Contato, suor, timidez
Medo, vontade, calor
Marcado, estagnado,
Surpreso.


Por dentro,
Fervendo, queimando
Demora a sumir...
Quem sabe um dia.


Das lembranças de ontem
Do tremor e dissabor,
Melodia.