"Quando olho para o meu passado, encontro uma mulher bem parecida comigo - por acaso, eu mesma - porém essa mulher sabia menos, conhecia menos lugares, menos emoções." (Martha Medeiros)
Aquele sentimento invasivo que ao mesmo tempo que preenche de sensações, aponta para todas as insignificâncias. Porque o espaço ocupado foi grande. E o que teve lá dentro também foi. Mas o que sobra são resquícios de saudade e multidão de mágoas.
A infinidade de horas vividas, os incontáveis momentos e os tantos abraços.
As horas marcadas, os encontros combinados, os desencontros, as coincidências, correrias. Os pontos de ônibus, as escolas de dança, o colégio, o curso de inglês e a lanchonete. Pura rotina. As consultas no dentista, as escapadas do horário, a casa das amigas e o ensaio no domingo. Mais rotina.
Um certo desespero na hora de definir. Um boa dose de tristeza ao ver as más lembranças ocupando o lugar das ótimas. A pena que dá por saber que o que um dia foi lugar primeiro, jamais voltará a ser. E o orgulho de ver que ao olhar pra trás, encontrou-se a felicidade.

