segunda-feira, 1 de junho de 2015

Da consulta

Hoje ouvi que nunca saí de casa. Nunca saí de casa na escola. Nunca saí de casa na igreja. Nunca saí de casa com meu namorado. Nunca saí de casa porque tudo que eu fiz teve a mão dos meus pais. Eles sempre trabalharam nas escolas em que estudei. Eu nunca achei isso ruim. Felt like home. Meu namorado é filho da melhor amiga da minha mãe. Ele é de casa, sempre foi. Eu era da igreja da minha mãe, aí mudei! Fui pra igreja do meu pai. É. 
Mas aí na (futura) faculdade não tem ninguém aqui de casa. No lugar da prova de vestibular, eu não conheço o fiscal. Lá, os professores não vão me reconhecer por ser 'a cara da minha mãe'.
Aiai, engraçado, irônico, sei lá. Porque eu sempre fui alguma coisa que se aproxima de independente. Aham, eu era livre. Até perceber que a liberdade é trocar aquilo que a gente tinha como certo por um futuro adulto de incertezas e confusões e outras coisas que parecem que vão te engolir. "Juliana, você está passando pela transição pra vida adulta", que diabos quer dizer isso? Que eu era criança e agora eu cresci? Parece que sim.  Eu sempre quis crescer quando era criança. "Juliana, você está vivendo a rebeldia que não viveu quando era adolescente", então eu pulei essa parte e agora resolvi achar, lembrar, voltar com isso tudo, junto com meus não tardios 20 anos? Agora que deu vontade de sair eu descubro que tenho as quatro patas bem fincadinhas no lugar que eu mais gosto de passar meu tempo, minha casa? Eu sou de casa.
É, ser caseira é ser eu. Que delícia que não é ficar com dor nas costas de tanto estar deitada, ou um leve torcicolo porque aquela era a melhor posição pra ver os episódios daquela série, e principalmente ficar de pijama desde a hora que acorda até aquela hora que lembra que precisa de um banho antes de colocar outro pijama de novo. Essa sou eu, teoricamente nas férias. Na realidade atual, essa sou eu todos dias. Sem grande oferta de séries e filmes e outras coisas porque minha paciência já acabou até pra procurar distrações interessantes. É horrível ser caseira por obrigação. "Ah, mas você escolheu isso", não, errr, não. Por motivos de: estou entrando na vida adulta e vivendo a rebeldia da adolescência, pra ser nem um pouco exata mas já sendo, não escolhi ficar de bobeira o dia inteiro, 24 horas por dia, 7 dias por semana, todos os dias que tem num mês. Cansa. Cansa muito. Mas aí essa rotina maldita vira um bichinho que vai comendo toda minha força de vontade e disciplina e eu acabo refém da inércia. Não, não é só por causa dessa rotina, mas o que me condiciona a ela. A verdade é que, tremedeiras, suores e diarreias aparecem quando preciso mudar isso, ou seja, é um sofrimento. Acho essa palavra pesada, mas é ela mesma que tá servindo. Logo, portanto, enfim, aqui fico eu, de novo, em casa, sem sair de casa, com medo de sair de casa, achando que sair de casa vai me fazer não ter mais casa. Tudo porque eu nunca saí de casa. 

terça-feira, 26 de maio de 2015

"Só o começo do fim da nossa vida"

Foi em 2008, um ano após o fim da banda, quando comecei a escutar os Los Hermanos de verdade. Uma das últimas da ‘minha galera’ a começar esse amor todo pelos barbudos. Antes só gostava de “Primavera”, e Anna Júlia, até sem saber quem cantava. Me lembro de um dia de trabalho da escola na casa da Lelê (nossa caixa RECICLARTE, lembra??), ela colocou pra tocar “De Onde Vem a Calma” me pedindo pra ouvir a letra com atenção. E sim. Eu amei. A partir daí comecei a engolir todos os cds, as versões do luau mtv, os covers em shows, tudo. Foi rápido, viciante. É engraçado isso porque sou do tipo que enjoa, de quase tudo. Dessas que gosta muito de uma música e fica a semana inteira ouvindo só ela até não aguentar mais e esperar meses até ouvir de novo sem reclamar. Com Los Hermanos foi o contrário. Eu escutava e escutava e escutava. Fiquei brava porque eles tinham acabado com a banda e eu não teria a oportunidade de ir a um show. Um show daquela primeira e única banda que eu realmente gostava. Aí veio 2012 e um êxtase absurdo me arrebatou. Eu ia num show dos Los Hermanos, omg! Me lembro que estava no segundo ano do ensino médio, em meio a uma semana de testes super intensa. Era sábado, 26 de maio (exatos 3 anos atrás!!!) segundo bimestre, eu precisava de boas notas. Veio uma galera de Juiz de Fora aqui pra casa: Letícia, Elisa, Lucas, Andréa, Sarah e Ana. Era muita gente junta pro nosso apartamento e eu precisava estudar. Resolvi ir pra casa da Isabela, a gente tinha que mandar bem em um daqueles testes matadores de Geografia do Rogério. Saímos da aula e fomos pra Laranjeiras. Meu caderno cheio de rabiscos e bilhetinhos falando sobre o show, acho que minha turma toda soube daquele ‘grande dia’, eu estava insuportavelmente ansiosa. Belinha me aguentou a tarde toda, quando anoiteceu fui pegar um ônibus que não passava nunca!, e enquanto esperava recebi uma ligação da Lelê me dizendo com toda sua delicadeza de elefante que só faltava eu e ninguém queria se atrasar. Fui correndo pra casa, todo mundo tava quase pronto, me arrumei rapidinho e coloquei uma roupa na qual me arrependi dois minutos depois, e fomos. Uma fila enorme, uma espera enorme. A gente revezava pra sentar e comia biscoito torcida enquanto não aguentava mais a espera. O show começou e eu fiquei absolutamente hipnotizada. Chorei, gritei até ficar rouca, tirei foto com o Amarante no fundo, tive certeza de que ele olhou pra mim. Foi lindo, demais. Me esqueci de que deveria estar estudando, das pessoas a minha volta (só fui reparar nelas quando começaram aquelas rodinhas de luta durante “Pierrot” e quase caí pra trás, aiai, todos muito felizes). Foi uma emoção absurda. Acho que aquela vibe ficou comigo por semanas... E passou. Voltei a vida, voltei pro ipod. Interessante também que não dou muito valor a escutar um cd de cada vez, gosto mesmo é das playlists aleatórias só com as preferidas. Mas com Los Hermanos não. Escuto um cd por vez, na ordem, sem mais. Fico aflita quando escuto uma música deles misturada com outras. Não satisfeita com o show, fui ao cinema com o Bernardo (que passou a amar a banda depois da minha insistência de fã) assistir a transmissão de um show deles em Recife, eu acho. Chorei de novo, fiquei arrebatada de novo. Quem me conhece e precisa me definir costuma falar “era bailarina, apaixonada por girafas e ama los Hermanos,”. Fico feliz de ter tido a oportunidade de viver um show, participar da história desses caras que só me emocionam. E hoje fui ao cinema, assistir ao documentário feito sobre a turnê dos 15 anos de LH, essa que eu fui. Que coisa mais incrível assistir aos bastidores desses dias emocionantes pra tanta gente. Que eles são legais e fofos eu já sabia, mas é muito privilégio poder vê-los no meio dessa intimidade toda. Ver aquele público alucinado me fez reviver meu dia de show e me dar vontade de dormir e acordar no dia 30 de outubro, no show desse ano (!!!). Sim! Vai ter show esse ano graças aos 450 do Rio e eu vou estar lá. Foi impossível comprar os ingressos pela internet e despenquei lá pra Lapa, mesmo sem estar nos meus melhores dias de disposição, e comprei meu ingresso e o do André, que estava lá do outro lado do mundo. Tive sorte de a fila estar pequena, mas deu pra pegar um solzinho chato na cara. Problema nenhum. Saí de lá realizada, ansiosa, com um sorriso de graça no rosto. Que venha. Já sei que vai ser sensacional, mal posso esperar. Uma banda que me emociona, que se tornou trilha da minha vida, que me faz pensar e esquecer, tudo junto. Fico aqui então, esperando até a próxima surpresa que esses quatro, até o próximo show tributo, bloco do eu sozinho no carnaval ou um deles passando por mim na rua (LELÊ, É O BARBA!), me deixando petrificada. Mesmo condenando os fãs fanáticos de qualquer coisa, por não entender essa devoção, levo meu amor de fã por essa banda que tanto fez parte dos meus momentos. E parcialmente entendo os loucos que seguem seus ídolos e fazem loucuras, porque sim, eles nos deixam loucos e é uma delícia descobrir um pouco mais sobre suas vidas. O documentário de hoje me inspirou. Quero mais.