domingo, 8 de setembro de 2013

Não

Por questões de etiqueta, mudez. Sim, calado. Se não falo, não é pra decifrar. Se consegue, guarda. Fica pra você, não me mostra. Não me abocanha assim. Esconde os dentes, esse focinho todo. Não vou dar a pata e também sei rosnar. Não me escuta, não me lê, não me cheira, não me sente. Não. Não pergunta. Vou responder o que não quero. Te apresentar o que é meu e não mostro. E também não me conta. Eu vou saber, até já sei. Precisa nem falar. Não vou me interessar, então também não pergunta. É, não questiona, não indaga, não se aborreça. Pra não me chatear e não te chatear e gerar essa chateação toda que vai deixar todo mundo chateado. Então não. Só fica mudo. Quietinho. Aproveita e me abraça. E esmaga.

sábado, 7 de setembro de 2013

Eu sei

Porque me incomoda. O pequeno, a sutileza. É supérfluo. Isso mesmo. E eu ainda sei. É que mesmo assim, me incomoda. Me remexe, me deixa borbulhar. Faz mal, eu também sei. Que é tudo atoa. O sofrimento, a angústia, a preocupação. E o incômodo. Mas. Me incomoda. Me aflige, vai corroendo, desmembrando, despedaçando. Me compara, me provoca, me desmotiva. Me incomoda muito. Incomoda bastante, assim, maiusculamente. É grande, por menor que seja. Insignificante, desnecessário, desprezível. É, é. Inquietante também. Arrogante e incompleto. Falta alguém e sou eu. Aí incomoda. Insiste em martelar, em latejar, pulsar, estourar. Argh. Muito incômodo pra pouco eu. Muita falta de egoísmo, falta de tudo quanto é "auto". Depois melhora. Ah sim, um pouco. Continua ali, claro. Cutucando. A ferida desistiu já. Aumenta a cicatriz pra depois abrir. Tá vendo só, incomoda. Me atrapalha. Sai, e vai logo.

E mais

Era pra ter sido. Era pra ter voltado, não era pra ter ido, fugido. Podia ser melhor, eu queria que fosse. Não o pior. Mas o menos, pra mais. Pra mais isso, mais o outro, mais de novo. Porque era. Mas não assim, desse jeito. Esses tropeços, essas firulas. Todas as flores que murcharam. Deixaram os brotinhos. Tão aqui. O tempo acabou. Não. Vai ainda. Falta um pedaço, uma fração, a última peça. O quebra-cabeça tá torto, mas é por pouco. Por menos. Que se junta com o menos e parece mais. Mas não. Volta, segura. Aguenta. Mais, e de novo. Só mais um pouquinho.



quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Estádios nas ruas


O “país do futebol” está em alta. Prestes a sediar os dois maiores eventos esportivos do mundo, o Brasil está diante dos olhares internacionais. Em meio a conflitos internos e estereótipos externos, o país tem a oportunidade de se mostrar tão espetacular em outros esportes quanto no futebol e também muito participativo politicamente quanto em campo.

A onda de protestos e manifestações chamou a atenção do povo brasileiro para a importância demasiada do país para com a Copa e as Olimpíadas e forçou o cumprimento, já antes indispensável, da realização destes sem prejudicar as necessidades básicas do Brasil. Também despertou o sentimento de prioridade dos direitos do povo sobre os eventos internacionais.

Com a nova perspectiva da população, o legado dos jogos começa a ser deixado, destacando os valores éticos e de cidadania que estes trazem. Um diferencial que refletiria no novo perfil de cidadão brasileiro seria o aumento da visibilidade para os Jogos Paraolímpicos. Seu destaque valorizaria áreas que precisam de investimento e que fazem parte da luta nas ruas, além de inferir maior importância para outros esportes.

É evidente que há uma grande expectativa para o retorno que os investimentos terão. Há uma dívida e desconfiança tanto nacional quanto internacional sobre esta volta, mas que com as pressões internas e necessidade de boa impressão externa, vai ser correspondida.

O equilíbrio necessário para que o país cresça e obtenha sucesso nos eventos está se desenvolvendo. E a contribuição virá de forma ambígua, amadurecendo gerações e desmascarando corrupções políticas, chegando então ao sucesso e congratulação brasileira.


                                                                                                               Juliana Henriques