terça-feira, 26 de maio de 2015
"Só o começo do fim da nossa vida"
Foi
em 2008, um ano após o fim da banda, quando comecei a escutar os Los Hermanos
de verdade. Uma das últimas da ‘minha galera’ a começar esse amor todo pelos
barbudos. Antes só gostava de “Primavera”, e Anna Júlia, até sem saber quem
cantava. Me lembro de um dia de trabalho da escola na casa da Lelê (nossa caixa
RECICLARTE, lembra??), ela colocou pra tocar “De Onde Vem a Calma” me pedindo
pra ouvir a letra com atenção. E sim. Eu amei. A partir daí comecei a engolir
todos os cds, as versões do luau mtv, os covers em shows, tudo. Foi rápido,
viciante. É engraçado isso porque sou do tipo que enjoa, de quase tudo. Dessas
que gosta muito de uma música e fica a semana inteira ouvindo só ela até não
aguentar mais e esperar meses até ouvir de novo sem reclamar. Com Los Hermanos
foi o contrário. Eu escutava e escutava e escutava. Fiquei brava porque eles
tinham acabado com a banda e eu não teria a oportunidade de ir a um show. Um
show daquela primeira e única banda que eu realmente gostava. Aí veio 2012 e um
êxtase absurdo me arrebatou. Eu ia num show dos Los Hermanos, omg! Me lembro
que estava no segundo ano do ensino médio, em meio a uma semana de testes super
intensa. Era sábado, 26 de maio (exatos 3 anos atrás!!!) segundo bimestre, eu
precisava de boas notas. Veio uma galera de Juiz de Fora aqui pra casa:
Letícia, Elisa, Lucas, Andréa, Sarah e Ana. Era muita gente junta pro nosso
apartamento e eu precisava estudar. Resolvi ir pra casa da Isabela, a gente tinha
que mandar bem em um daqueles testes matadores de Geografia do Rogério. Saímos
da aula e fomos pra Laranjeiras. Meu caderno cheio de rabiscos e bilhetinhos
falando sobre o show, acho que minha turma toda soube daquele ‘grande dia’, eu
estava insuportavelmente ansiosa. Belinha me aguentou a tarde toda, quando
anoiteceu fui pegar um ônibus que não passava nunca!, e enquanto esperava
recebi uma ligação da Lelê me dizendo com toda sua delicadeza de elefante que
só faltava eu e ninguém queria se atrasar. Fui correndo pra casa, todo mundo tava
quase pronto, me arrumei rapidinho e coloquei uma roupa na qual me arrependi
dois minutos depois, e fomos. Uma fila enorme, uma espera enorme. A gente
revezava pra sentar e comia biscoito torcida enquanto não aguentava mais a
espera. O show começou e eu fiquei absolutamente hipnotizada. Chorei, gritei
até ficar rouca, tirei foto com o Amarante no fundo, tive certeza de que ele
olhou pra mim. Foi lindo, demais. Me esqueci de que deveria estar estudando,
das pessoas a minha volta (só fui reparar nelas quando começaram aquelas
rodinhas de luta durante “Pierrot” e quase caí pra trás, aiai, todos muito
felizes). Foi uma emoção absurda. Acho que aquela vibe ficou comigo por
semanas... E passou. Voltei a vida, voltei pro ipod. Interessante também que
não dou muito valor a escutar um cd de cada vez, gosto mesmo é das playlists
aleatórias só com as preferidas. Mas com Los Hermanos não. Escuto um cd por
vez, na ordem, sem mais. Fico aflita quando escuto uma música deles misturada
com outras. Não satisfeita com o show, fui ao cinema com o Bernardo (que passou
a amar a banda depois da minha insistência de fã) assistir a transmissão de um
show deles em Recife, eu acho. Chorei de novo, fiquei arrebatada de novo. Quem
me conhece e precisa me definir costuma falar “era bailarina, apaixonada por
girafas e ama los Hermanos,”. Fico feliz de ter tido a oportunidade de viver um
show, participar da história desses caras que só me emocionam. E hoje fui ao
cinema, assistir ao documentário feito sobre a turnê dos 15 anos de LH, essa
que eu fui. Que coisa mais incrível assistir aos bastidores desses dias
emocionantes pra tanta gente. Que eles são legais e fofos eu já sabia, mas é
muito privilégio poder vê-los no meio dessa intimidade toda. Ver aquele público
alucinado me fez reviver meu dia de show e me dar vontade de dormir e acordar
no dia 30 de outubro, no show desse ano (!!!). Sim! Vai ter show esse ano
graças aos 450 do Rio e eu vou estar lá. Foi impossível comprar os ingressos
pela internet e despenquei lá pra Lapa, mesmo sem estar nos meus melhores dias
de disposição, e comprei meu ingresso e o do André, que estava lá do outro lado
do mundo. Tive sorte de a fila estar pequena, mas deu pra pegar um solzinho
chato na cara. Problema nenhum. Saí de lá realizada, ansiosa, com um sorriso de
graça no rosto. Que venha. Já sei que vai ser sensacional, mal posso esperar.
Uma banda que me emociona, que se tornou trilha da minha vida, que me faz
pensar e esquecer, tudo junto. Fico aqui então, esperando até a próxima
surpresa que esses quatro, até o próximo show tributo, bloco do eu sozinho no
carnaval ou um deles passando por mim na rua (LELÊ, É O BARBA!), me deixando
petrificada. Mesmo condenando os fãs fanáticos de qualquer coisa, por não
entender essa devoção, levo meu amor de fã por essa banda que tanto fez parte
dos meus momentos. E parcialmente entendo os loucos que seguem seus ídolos e
fazem loucuras, porque sim, eles nos deixam loucos e é uma delícia descobrir um
pouco mais sobre suas vidas. O documentário de hoje me inspirou. Quero mais.
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