"Enquanto finjo, enquanto fujo." (O Teatro Mágico)
Falta paciência, falta vontade, acumula tédio. Cadê? Sobra segredo, sobra preguiça, sobra interesse. Fomenta o boicote, sustenta a justificativa, o desentendimento, o resto. Ignora o objetivo, sobrepõe as ideias, ultrapassa o caminho. Entende o depois, quer a parte que vem. Esquece o porquê, relembra os poréns. Alimenta objeções e completa a falta. Passa sem querer, esquece por querer... Desenvolve. Desenrola. Desinteressa. Cadê? As coordenadas se confundem, as cobranças evaporam. A pressão sumiu. O medo continua... A tão querida "querência"... É claro que não domina, que não permanece, que não sustenta, não se impõe, não justifica, existe. Mas onde foi parar? Quero tudo, só que com nada. Não, não quero com nada, tudo. Sem promover, sem tentar, procurando o esforço. Me inspira, suspiro. Me entendo, me procuro, me quero, me aguardo, me entendo, reluto. Completo as peças que fugiram e disperso as que ficaram. Mas, cadê? A pinça puxa, a cera expulsa, o fogo arde, a faca espreme, o olho fecha, a boca morde, as unhas crescem e a cabeça... Cadê? O tempo passou. Passou? Tá passando, vai passar, tem passado. Passo bem, obrigada. Depois eu passo, aí eu lavo, enquanto seca. Por enquanto, procuro. Cadê? Ahhh... Tão mais fácil, menos humano, tão comum, menos arriscado, mais indiferente. Espera, mais arriscado. Mais gente. Menos orgulhoso, mais oprimido, justificado, falsificado, desmiolado. Inconsequente. Mas consciente, sem saber onde, sem saber quando, sem saber "cadê".