sábado, 25 de fevereiro de 2012

Inóspito


O grande mistério. Pequenos pedaços. Minuciosos fragmentos de passos da vida. Nada se passa do gênesis. 
Tudo parece grande. E tão profundo... A intensidade é tanta que dar conta acaba virando missão de vencedor. Lutar contra os próprios pesadelos, e viver independente dos monstros que resolveram invadir as madrugadas... é de assustar.

Não quero mais dormir. Porque não quero mais sonhar.
Funciona como uma anestesia de duas faces.
O sub e o inconsciente brincam de pique-e-pega durante meu sono. As gavetinhas de lembranças, imagens, ilusões, desejos e medos se movimentam sem o menor receio de serem desmascaradas. É a hora em que tudo parece ser claro, mas em meio ao ambiente escuro e indefinido. Como se lá, todas as dúvidas se permitissem responder.
É o momento da ilusão virar realidade. Como se o irracional tomasse o lugar de toda a sensatez, e a insanidade ocupasse toda e qualquer brechinha de insegurança. Ali não existe meio-termo, e o impossível se revela como nada mais nada menos do que real.
Fechar os olhos pra descansar pode ser uma longa viagem pelo túnel da vida, que ainda se permite enxergar luz ao olhar pra trás. Uma grande e irônica inversão de papéis. 
Nada como ser surpreendido pelo próprio universo particular.

Um mais um



Dois corações vagando pelos corredores
Duas almas que flutuam e se perdem no tempo
Uma dupla que rasteja num sonho que já foi alto


Um misto de bom senso com incerteza
Pitadas de orgulho e saudade
Que se incrementam através do relógio
E anseiam por dissolverem no vento


Espasmos de felicidade e melancolia
Presos às manchas do que foi
Buscando sustento e coragem
Pra poder um dia vagar,
Sem saudade.



domingo, 5 de fevereiro de 2012

"Um dólar se vamos e... já!"


"Todo amanhã se cria num ontem, através de um hoje. Temos de saber o que fomos, para saber o que seremos." Paulo Freire

Mais um ano letivo começa... Agora sim, 2012 se inicia de verdade! Além do mais, o que seriam das férias se não existissem as aulas?
Depois do desgastante ano de 2011, as promessas para um novo começo são muitas! 
Está entrando um período cheio de foco, disposição, ânimo e confiança.
Verdadeiramente posso dizer agora, vem com tudo 2012!

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Só começando


Há os que acreditam que “depois da tempestade vem o arco-íris” ou que “o tempo é o melhor remédio” ainda sejam senhores consolos. Acontece, que essas belas e verdadeiras frases, por mais convincentes que pareçam, somente se tornam aconchegos de fato quando dentro de cada pranto e cada sofrimento é visto um fim, uma luz. A partir daí, toda a esperança implícita na coragem de cada palavra se torna real, inquestionável. Até lá, meros clichês.
Em tempos de desamor e desgosto, o túnel não chega ao fim, e só se encontra a fé, pela metade. A força e a coragem se apresentam pra evitar que a outra metade se desconcerte; por serem o que mascaram toda a dignidade e crença que temos em nós mesmos, sem ao menos saber. 
Em nome de todo dissabor e toda angústia que termina, a conclusão é simples. O gostinho de sentir um grande medo, um friozinho na barriga e o desejo de poder reconstruir, faz toda a diferença por dentre os personagens desse cenário que se torna cada dia mais intrigante. 
É no findar dos tempos difíceis que o valor do básico, o encanto do casual e a beleza do simples se concretizam e não permitem interrogações quaisquer.
O indigesto e o obscuro ganham leveza e brilho, pra deixar bem longe todas as noites de ofuscação e sombra, que foram o cimento e o concreto na construção da recém obra de arte.
É com pequenos anseios do começo da vida que são abertas as primeiras portas do juízo e da ponderação. Nas pequenas derrotas começam a ser vencidas as grandes batalhas... E nos pequenos tropeços são aparentes os primeiros socorros e os melhores remédios.

Feliz aniversário, Camelo!



Liberdade
(Marcelo Camelo)
Perceber aquilo que se tem de bom no viver é um dom
Daqui não, eu vivo a vida na ilusão
Entre o chão e os ares, vou sonhando em outros ares
Vou fingindo ser o que já sou, fingindo ser o que já sou
Mesmo sem me libertar, eu vou
É, Deus, parece que vai ser nós dois até o final
Eu vou ver o jogo se realizar de um lugar seguro
Seguro de que vale ser aqui
De que vale ser aqui onde a vida é de sonhar
Liberdade

"Crescer dói."


E quando abro os olhos, me devolvo à realidade. Pouco a pouco tomo consciência de um novo dia pra ser encarado de corpo, alma e coração. E não é tão simples quanto parece.

Fácil é se deixar perder nos sonhos, fantasias, desejos, impulsos.

Uma vez um sonho, uma vez a vontade de realizá-lo para sempre. Uma vez um passado, que sempre fará parte das lembranças. Uma vez um erro, pra sempre irreparável. Ou não, existem diferentes maneiras de se "reparar" um erro, nem que seja dando um jeitinho.
Aproveitar, criar histórias, sonhar, formular projetos... Muito fácil.

Enquanto vivo assim, os olhos ainda estão fechados.

Levantar a cabeça, enxergar um futuro a partir dos desafios do presente e conseguir caminhar com a vida... Quase impossível.
Errar uma vez não quer dizer “ser errado”, da mesma forma que acertar uma vez não impede o erro. E por aí vai.

Crescer depende de um constante processo entre cair e levantar. Ser vítima em tudo não faz amadurecer com o erro dos outros.
Onde fica o peso dos erros e acertos de cada um? Uma vida conta mais que um acontecido ou um episódio. Ou deveria. Assim como um novo aprendizado nunca é demais, cair é preciso.

Pessoas que erram, se arrependem, tentam se redimir e se reconhecem, são pessoas melhores. Elas não têm outra opção.

Hoje os olhos estão bem abertos. Nada como aprender a se reconhecer e se aceitar, nem que seja porque existe alguém que aposta em você, e acredita no seu potencial.
Busque fazer da vida do outro um instrumento para a felicidade mútua. É gratificante.

Enxergue os dois lados da moeda. Viva-os! Aprenda a perdoar e a ser perdoado. Com paciência e cuidado, tudo se ajeita.