sábado, 25 de fevereiro de 2012

Inóspito


O grande mistério. Pequenos pedaços. Minuciosos fragmentos de passos da vida. Nada se passa do gênesis. 
Tudo parece grande. E tão profundo... A intensidade é tanta que dar conta acaba virando missão de vencedor. Lutar contra os próprios pesadelos, e viver independente dos monstros que resolveram invadir as madrugadas... é de assustar.

Não quero mais dormir. Porque não quero mais sonhar.
Funciona como uma anestesia de duas faces.
O sub e o inconsciente brincam de pique-e-pega durante meu sono. As gavetinhas de lembranças, imagens, ilusões, desejos e medos se movimentam sem o menor receio de serem desmascaradas. É a hora em que tudo parece ser claro, mas em meio ao ambiente escuro e indefinido. Como se lá, todas as dúvidas se permitissem responder.
É o momento da ilusão virar realidade. Como se o irracional tomasse o lugar de toda a sensatez, e a insanidade ocupasse toda e qualquer brechinha de insegurança. Ali não existe meio-termo, e o impossível se revela como nada mais nada menos do que real.
Fechar os olhos pra descansar pode ser uma longa viagem pelo túnel da vida, que ainda se permite enxergar luz ao olhar pra trás. Uma grande e irônica inversão de papéis. 
Nada como ser surpreendido pelo próprio universo particular.

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