Foi bom virar as costas para as responsabilidades, ignorar
os horários, esconder os uniformes, fechar os livros e desaprender a escrever.
Fez parte dormir demais, sonhar demais, esquecer demais e pedir pra não
lembrar. Foi uma saudade boa daqueles de todo dia, uma dorzinha na lembrança e
ao mesmo tempo ansiedade pra fazer o tempo correr. Não cumprir os combinados,
se sentir dentro de um SPA e deixar os pijamas sendo roupa do dia-a-dia, teve
seu valor. Relembrar como é bom ficar largado, ultrapassar o meio-dia e ver o
sol nascer... Matar velhas saudades e despedir mais uma vez. Ah, foi bom. Vai
continuar sendo.
É hora de dar adeus às madrugadas, aos dias desregrados, a
dieta esquecida e a mochila no armário. Guardar as roupas novas e renovar tênis e canetas. Hora de lembrar como é que se continua de verdade, como é que fui
gente até agora e todos os porquês que se responderam durante o atoa.
Compensar as horas de sono e acordar a disciplina. Esquecer do cabelo e das
unhas (?), e lembrar o que é rotina.
É hora de surpreender. Boa noite, madrugada.

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