segunda-feira, 20 de agosto de 2012

"...é big, é big...!"


Hmmm... Os salgadinhos já estão no forno e os refrigerantes no freezer. O interfone toca, e a ansiedade chama lá no corredor. Escuta-se o barulho dos presentes batendo pelas escadas, e os cabelos esvoaçantes correndo pra chegar logo ao terceiro andar.
O ônibus faz barulho lá embaixo... É sinal de mais pacotes e pijamas pra passar a noite. Os pais e mães buzinam gritando por juízo... A luz da varandinha não apaga... O sofá vai enchendo, as bandejas esvaziando... A cama lota de embrulhos e o brilho nos olhos se confunde com o das estrelas. O gostinho de passar a noite com os amigos... A noite do pijama está só começando!

Toda a vizinhança escuta os assovios e bate palma junto... É parabéns vindo da janela do outro lado e da rua lá embaixo! É o telefone que toca e o celular que vibra! O momento mais esperado do ano!
Os brigadeiros ficam esquecidos em cima da geladeira e viram café da manhã junto com a batida de Nescau inesquecível. Os bigodinhos matinais depois de toda a farra das crianças juntas e misturadas na sala que virou quarto.
E a hora de dar tchau é um sacrilégio! Ficaram os restinhos de doce, os pedaços de bolo na geladeira, a bagunça generalizada, os colchões desarrumados e as redes em inércia.

“Agora só ano que vem!”







Ahhhh... Foi-se o tempo em que aniversários eram uma euforia! Um verdadeiro evento!
Era uma vez aquela ansiedade toda, o orgulho de ser o aniversariante do dia, a expectativa da festa e dos presentes.
Hoje? Hoje a gente comemora por ouvir aquelas vozes de antigamente... Dormir sonhando com as noites em claro que passamos desgrudando chiclete e amoeba do cabelo! E dos passeios de bicicleta do dia seguinte...
A idade é pouca, mas as lembranças são muitas, e as histórias também! Fica a saudade de uma época de menores erros, maiores abraços, muitos presentes, cigarretes da tia Vilma e bolos da Brasil! Que as fotos não se percam e a memória não decomponha. Que o ar rarefeito e a buzina lá embaixo continuem transmitindo o afago no peito de quem entende o quanto é especial só de ouvir as sandalinhas correndo pelos corredores. Que não se mudem os nomes das bonecas e que o tempo e a lucidez não estraguem o encanto que bordou os dias mais esperados e bem comemorados dos tempos juizforanos.

Apaguem as luzes, porque é hora de cantar parabéns!

Nenhum comentário:

Postar um comentário