Hoje ouvi que nunca saí de casa. Nunca saí de casa na escola. Nunca saí de casa na igreja. Nunca saí de casa com meu namorado. Nunca saí de casa porque tudo que eu fiz teve a mão dos meus pais. Eles sempre trabalharam nas escolas em que estudei. Eu nunca achei isso ruim. Felt like home. Meu namorado é filho da melhor amiga da minha mãe. Ele é de casa, sempre foi. Eu era da igreja da minha mãe, aí mudei! Fui pra igreja do meu pai. É.
Mas aí na (futura) faculdade não tem ninguém aqui de casa. No lugar da prova de vestibular, eu não conheço o fiscal. Lá, os professores não vão me reconhecer por ser 'a cara da minha mãe'.
Aiai, engraçado, irônico, sei lá. Porque eu sempre fui alguma coisa que se aproxima de independente. Aham, eu era livre. Até perceber que a liberdade é trocar aquilo que a gente tinha como certo por um futuro adulto de incertezas e confusões e outras coisas que parecem que vão te engolir. "Juliana, você está passando pela transição pra vida adulta", que diabos quer dizer isso? Que eu era criança e agora eu cresci? Parece que sim. Eu sempre quis crescer quando era criança. "Juliana, você está vivendo a rebeldia que não viveu quando era adolescente", então eu pulei essa parte e agora resolvi achar, lembrar, voltar com isso tudo, junto com meus não tardios 20 anos? Agora que deu vontade de sair eu descubro que tenho as quatro patas bem fincadinhas no lugar que eu mais gosto de passar meu tempo, minha casa? Eu sou de casa.
É, ser caseira é ser eu. Que delícia que não é ficar com dor nas costas de tanto estar deitada, ou um leve torcicolo porque aquela era a melhor posição pra ver os episódios daquela série, e principalmente ficar de pijama desde a hora que acorda até aquela hora que lembra que precisa de um banho antes de colocar outro pijama de novo. Essa sou eu, teoricamente nas férias. Na realidade atual, essa sou eu todos dias. Sem grande oferta de séries e filmes e outras coisas porque minha paciência já acabou até pra procurar distrações interessantes. É horrível ser caseira por obrigação. "Ah, mas você escolheu isso", não, errr, não. Por motivos de: estou entrando na vida adulta e vivendo a rebeldia da adolescência, pra ser nem um pouco exata mas já sendo, não escolhi ficar de bobeira o dia inteiro, 24 horas por dia, 7 dias por semana, todos os dias que tem num mês. Cansa. Cansa muito. Mas aí essa rotina maldita vira um bichinho que vai comendo toda minha força de vontade e disciplina e eu acabo refém da inércia. Não, não é só por causa dessa rotina, mas o que me condiciona a ela. A verdade é que, tremedeiras, suores e diarreias aparecem quando preciso mudar isso, ou seja, é um sofrimento. Acho essa palavra pesada, mas é ela mesma que tá servindo. Logo, portanto, enfim, aqui fico eu, de novo, em casa, sem sair de casa, com medo de sair de casa, achando que sair de casa vai me fazer não ter mais casa. Tudo porque eu nunca saí de casa.
Meu Deus. Meu Deus. Meu Deus. Tenho medo do quão parecidas a gente ficou. Realmente: rebeldia tardia hahahah Adorei o texto... "nunca sai de casa.." genial.
ResponderExcluirMas, Juju, eu fiquei exatamente assim antes de entrar no cursinho ( entre a desistência da faculdade e o cursinho) . Hoje, admito que tenho que agradecer minha mãe por não ter me deixado desistir e sair. "Não pense que a cabeça aguenta se você parar"... Raul tinha razão, juju. Aqueles passos que eu falei no meu texto que me levaram para as minhas obrigações, me trouxeram sanidade. O ócio enlouquece. A incapacidade de sair dele é exaustiva. Por isso, mesmo sem sair do ocio, eu continuei colocando um pé na frente do outro. Eu, fazendo cursinho e faculdade, FIQUEI NO ÓCIO. Porque o ócio é vc fazer tudo e fazer nada. Mas agora eu to me achando, o que não teria acontecido se eu tivesse parado. Eu sei a dor que é ir para o cursinho, mas eu realmente acho que vc devia se matricular no segundo semestre e simplesmente ir. Não me bata por falar isso, mas funcionou comigo. Talvez funcione com vc tambem. Beijo beijo